Trabalho Hertzberger: Cartilha



 Hertzberger: De usuário a morador


  O conceito geral trabalhado por Hertzberger na subdivisão 5 (parte A) de seu livro Lições de Arquitetura é sobre o contraste entre “usuário" e “morador”, em que suas diferenças estão presentes no modo de utilizar e, de certa forma, personalizar o espaço. 

  Para o autor, um usuário consiste em alguém que usufrui somente do que o espaço oferece, algo pensado pelo arquiteto. Normalmente, quem é somente um usuário não possui vínculos diretos e afetivos com o ambiente, assim como também não possui um senso de responsabilidade tão forte ao vivenciar o espaço. Já os moradores (ou habitantes), além do uso feito pelos usuários, existem certas ligações mais pessoais e afetivas com o espaço, criando uma atmosfera mais segura e propícia para o cuidado e zelo pelas pessoas. 

  Dos exemplos citados pelo autor, temos primeiramente a Escola Montessori, em Delft, onde as salas de aulas são ambientes criados (decorados) pelos professores com a ajuda de seus alunos, tornando o ambiente escolar mais acolhedor e caseiro ao estudante. Com essa atmosfera criada pelos ‘habitantes' dessa sala, um senso de responsabilidade é criado, como citado anteriormente, levando à uma afinidade emocional ao espaço, como citado pelo próprio Hertzberger. Porém, um dos riscos presentes nessa arquitetura é o acesso desses ambientes por pessoas de “fora”, por exemplo por quem faz a manutenção da limpeza, pois, com a mínima mudança esse senso de pertencimento e habitação pode se perder. 

  Em segundo lugar, a Escola Apollo, em Amsterdam. Essa obra de Hertzberger possui uma abordagem semelhante à anterior, entretanto sua construção foi feita visando que os alunos se “esbarrem" mais pelos corredores e halls, levando a um aumento do contato e interações sociais entre eles. Além dessa característica, esse ambiente possui diversos ‘cantos de estudo’, em que o estudante não se sente excluido da sala de aula mas também não esta totalmente na área externa. 

  Com obras arquitetônicas nesses estilos, a sensação de pertencimento e afinidade com ambientes que normalmente existem só para usos específicos aumentam, ajudando em um cuidado mais bem feito de seus ‘moradores' e interações mais fortes e verdadeiras entre eles. 








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