Trabalho Hertzberger: Análise
Análise Hertzberger
De acordo com alguns conceitos citados por Hertzberger no livro Lições de Arquitetura irei fazer uma analise partindo de um ambiente menor e mais privado (meu quarto) para um maior e mais público (cidade).
Começando pelo meu quarto, podemos analisar esse espaço privado como um espaço onde o usuário (eu) se torna morador, não so pelo conceito base de moradia, mas sim por ser um espaço que tenho afinidade e vinculo, onde possui marcas da minha personalidade e eu zelo pela ordem e limpeza. Partindo para um âmbito maior, os corredores da casa se enquadram em certos níveis no conceito de ‘Intervalo’, que seria um ambiente transitório, que demarca as transições entre os espaços da casa, porém continua sendo um local privado, que poucas pessoas tem acesso.
Nas áreas comuns da minha casa, como a sala de estar e a cozinha, as ideias de 'Demarcação do Espaço’ e 'Diferenciação Territorial’ podem ser usadas para realizar uma análise, visto que de acordo com o primeiro, elas são regiões da casa (em um plano pequeno) e da rua (em um plano maior, por exemplo) com menor restrição de acesso, onde convidados e prestadores de serviços transitam com mais frequências. Pensando no segundo, esses cômodos encaixam no mesmo por serem ambientes com diversidade de funções que podem ser exercidas neles, que não são possíveis de realizar em outro espaço da casa (como assistir televisão e cozinhar).
Além desses conceitos citados, a casa em si envolve ainda um maior, chamado de ‘Estrutura e Interpretação’, pois, ao ser construído, esse espaço determina um uso à que o habita, as funções básicas de uma residência, entretanto, nos moradores também determinamos seu ‘uso’, ao fugir do cotidiano e fazer atividades diferentes nesse espaço, como festas, comemorações, encontros e até mesmo o estudo e trabalho em época de pandemia.
A minha rua em si, pode ser interpretada com alguns conceitos Hertzberguianos. Primeiramente como sendo uma sala de estar comunitária (conceito tratado na divisão ‘A rua’), já que minha vizinhança toda se conhece, então diversas vezes que nos encontramos nesse espaço paramos para conversar e interagir. Além desse, os moradores dela possuem um grande senso de responsabilidade, sempre cuidamos da rua como uma extensão de nossa casa, prezando pela organização e limpeza da mesma (conceito de ‘Domínio Público’). Uma característica marcante nas moradias da minha rua é a abertura das casas em relação com o ambiente externo, sempre vemos portas e janelas abertas e pessoas sentadas nas partes da frente de suas casas, normalmente separadas da rua por uma grande. Isso possibilita que o mundo exterior e público se conecte com o mundo interior e privado (conceito trabalhado na divisão ‘Visão ll’).
Analisando o bairro, em algumas partes o pensamento de ‘O espaço habitável entre as coisas’, ‘Demarcações privadas no espaço público’, ’Incentivo' e de ‘Zoneamento Territorial’ podem ser reconhecidos. O primeiro pode ser percebido em uma praça perto da minha casa, onde o próprio desnível é utilizado como banco e apoio para compras, e a grade que cerca algumas das áreas desse espaço é comumente utilizada como encosto ao se sentar. O segundo ocorre nessa mesma praça, pelo fato de ter uma escola ao seu lado, diversas atividades dos alunos são feitas nela, como pinturas no chão, colagens nos postes e trabalhos expostos, tanto em algumas paredes como na grade já citada. Considero esse ambiente como incentivador de interações e intervenções sociais, exemplificando o a ideia de ‘Incentivo'. Tratando do conceito de Zoneamento Territorial, o meu bairro é bem dividido considerando certas atividades! Grande parte é praticamente residencial, os comércios presentes estão presentes em uma mesma rua, assim como os restaurantes em outra ao lado.
Considerando Belo Horizonte como um todo, diversas noções do autor podem ser discutidas, como ‘Obra Pública’, ‘O acesso público ao espaço privado’, ‘Grelha’, ‘Lugar e Articulação’ e ‘Polivalência’. Analisando os prédios públicos e parques de BH, o conceito de Obra Pública é percebido, visto que esses ambientes possuem muitas áreas acolhedoras, seja para descanso, trabalho ou separação de espaços, em que o visitante e/ou trabalhadores podem viver o lugar com mais afinidade e respeito. O shopping Pátio Savassi representa o pensamento do acesso público ao espaço privado, por ser um ambiente parecido com as galerias de Paris citadas no livro por Hertzberger. Nele, o conceito de público e privado é deslocado, pela abertura de suas entradas e tetos abertos ou tampados com vidro.
Na área circunscrita pela Avenida do Contorno, os quarteirões e praças são distribuídos em forma de Grelha, por ter sido planejada previamente, sendo uma região considerada bem organizada pela população. Nesses bairros, ocorre uma boa articulação entre os edifícios e os espaços abertos, com tamanhos proporcionais de acordo com o objetivo da obra. Além disso, muito dos eventos oficiais da cidade acontecem nessa área, demarcando o lugar não só fisicamente, mas como uma ocasião no espaço-tempo.
Um exemplo bem marcante de Polivalência para mim é a Praça da Estação. Nesse ambiente, são realizadas diversas atividades distintas sem a alteração de sua forma original. Manifestações, Parada LGBTQ+, festas, feiras estudantis, feira de artesanato e eventos para se refrescar (“Praia da Estação”) são apenas algumas das atividades exercidas nesse espaço, que consegue abrigar pessoas com objetivos tão distintos entre si!


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